O casamento começou a ruir assim que compraram, depois de meses de economia, um colchão de casal. Um metro e sessenta é espaço demais para o amor novo.
praticante da fina e complexa ciência do achismo+projeto de mulherzinha crafter
segunda-feira, 29 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Meu primo morreu.
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Foi aos 20 anos, por uma coisa bem boba pra gente, mas letal para alguém com paralisia cerebral, de saúde frágil e corpo debilitado. 20 anos de sofrimento de uma família que fez o melhor que pode para cuidar de um filho que esboçou poucas reações durante a vida.
No enterro estava lá, nítida, a dor de um pai que enterrou o filho de mesmo nome, o desespero da mãe que perdeu o foco do seu afeto e a minha covardia de sempre me manter alheia a tudo.
Sim, eu sou covarde.
Porque não me envolvo com as questões familiares, não sou solicita, não acompanho, não sei das mazelas e das alegrias daqueles que me transformaram em gente. Falo deles com distanciamento, como se eles estivessem há quilômetros de distancia. Mas não, eles estão ali em Mauá, terra da minha infância e que eu tanto odeio.
Covarde porque eu não quero passar pela dor daquela mãe. Porque eu não quero correr o risco de fazer algo com defeito de fabricação, porque não suportaria a frustração de algo dar errado, porque não suportaria enterrar um filho, porque eu acho o mundo muito ruim para um filho meu viver. Não que o produto do meu útero seja algo melhor que as outras pessoas, mas é porque eu acho que o mundo não tem jeito.
Meu primo morreu quando eu estava de mudança, rumo a uma casa nova e ao grande amor. Mas não tive coragem de esboçar a minha felicidade frente a enorme dor dos outros, um pouco a minha também.
Enfim, sou covarde pra caralho.
terça-feira, 2 de março de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Por algum tempo eu acreditei nisso. Acreditei que amigo serve para qualquer coisa, que todo mundo tem defeitos mas se a gente gosta de verdade deixa para lá.
Fui deixando, deixando, até que cá estamos.
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Eu tive um amigo. O melhor. Fazedor de graças, carinhoso, querido, um grande companheiro. Com alguns defeitos, como toda pessoa, mas quando a gente gosta de alguém os defeitos passam a ser charme, detalhes insignificantes diante da grandeza do sentimento, certo?
Errei
Pedi desculpas
Não obtive retorno.
Fui analisar toda a relação.
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Até que ponto a gente aceita a mentira? Da mentira mínima àquelas que afetam a integridade as pessoas e nos deixam carregados de culpa, é aceitável? Alguém que narra as suas vitórias mas não suporta seu cotidiano, pode? Alguém que inventa assunto para sempre se sobrepor a você, dá?
Não, não dá.
E sendo sincera tudo o que eu precisava era de uma boa desculpa para por um ponto final nessa relação.
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As cinco horas da manhã, eu e @jojoyeux bêbadas e cansadas de tanta conversa, concluímos: a gente precisa deixar as pessoas irem embora. Sim, as pessoas vão e vem, e a gente não precisa de amigos eternos. Precisamos de amigos sinceros, intensos e verdadeiros, para encontros diários ou anuais, mas eles vão e vem. E a gente precisa deixar que seja assim. Talvez dure décadas, talvez semanas, tudo bem.
Tudo bem
Agradeço todo o carinho, mas cansei, ta?
#oukey, pode fazer o radião.
das invenções III - reformando e inventando vestidos

Ok, eu tinha muitas flores, e?
Na maluquice de tingir todas as minhas peças pretas&desbotadas, resolvi dar um jeito num vestido bem velho, que uma tia fez.
Uma vez tingido, cortei cerca de

Porque uma moçoila feito eu precisa de uma saia preta até o pé? Pois bem, da minha saia velha de malha resolvi que quero fazer um vestidinho. Esse é ainda um projeto, que está devidamente alfinetado no manequim, mas acho que o resultado será bem bacana...
conclusão (como nos trabalhos da faculdade):das invenções II - reformando blusinhas
Sabe AQUELE DIA de calor infernal que emburrece as pessoas? Então, mudanças bruscas de temperatura em SP, entre uma escola e outra eu PRECISAVA trocar de roupa antes que eu derretesse. Comprei uma blusinha baratíssima no metrô Barra Funda, vesti e fui. Só que ela tinha uma abertura ENORME atrás, deixando as costas a mostra, coisa que eu odeio. Um ano depois, fui iluminada, e acabei de fazer isso aqui, ó:

um belo dia comprei um saco de botões coloridos. não um saquinho, mas um senhor saco, que foi suficiente para a reforma do banheiro, para as artes com as crianças e para as flores de feltro.
Pausa
Eu tinha uma blusa de malha ótima preta, velha e desbotada. Na panela que cabe um short, cabe uma blusinha, certo? Tingi de preto e usei os botões. Ficou um charme:
detalhe: não é a blusa que está torta, mas eu que vesti o manequim errado!invenções
A minha meta para inicio de ano era reutilizar o maior numero de peças encalhadas no meu guarda roupa, dar cara nova a elas e colocar em prática todas as idéias vistas por aí e acumuladas devido a minha falta de tempo habitual. O resultado foi muito positivo, resultando em convites de reformas de roupas das amigas e tias.
Vamos às invenções e créditos
Todo mundo tem uma calça jeans perfeita mas tão velha que dá vergonha de usar, ok? Eu tenho várias assim. Vi um link postado no twitter pelas meninas do superziper e tentei fazer algo parecido com o material que tinha em casa.
Da calça fiz um short, que tingi de preto, costurei "rendinha" (não sei o nome desse coiso) e bordei uma flor de feltro. Foi assim mesmo, fácil fácil, e deu um resultado ótimo:
(sim, foto ruim: o fotógrafo está viajando, ok?)S o b r e p e s o
Eu sempre fui assim.
Está lá, nas fotos de família: bochechuda, calça colada, moletom apertado, sorriso aberto. É bonitinho uma criança gorda. Como nunca houve nenhuma orientação médica no sentido contrário, a mãe sempre achou que eu era a filha mais linda do mundo. As dobrinhas a mais não era resultado de má alimentação, muito pelo contrário: sempre fui fã dos vegetais.
Daí eu cresci.
Precisei comprar roupa sozinha. E entendi que o mundo foi feito para o manequim 38.
Auto estima lá no pé, demorei pra beijar, pra namorar. Aos 19 usava apenas roupas larguíssimas, vestidos ripongas, sabe? Entrei na faculdade, saí de casa, arrumei um namorado. Num ambiente novo e hostil precisamos ser fortes&seguras, ou o mundo nos devora. Fiz a primeira opção. E tudo pareceu bem, até o namorado passar a mão no teu quadril, na tua barriga e dizer: “se você perdesse um pouquinho disso aqui você ficaria uma delicia”.
Acabou. Bem, não foi por isso que acabou, mas foi isso que ficou na memória: ser recusada, do modo como era, pela pessoa que mais amava.
Mas, mesmo gorda&feia, por algum motivo misterioso, os homens se aproximavam de mim. Entendi, a duras penas, que aparência é uma coisa do jogo de encantar os homens, mas não é toda a coisa, entende? Inacreditavelmente eu nunca fiquei sozinha: sempre tive a sorte de ter um cara bacana me segurando a mão
Mulher é um bicho estranho e, mesmo muito segura do que era e do que poderia fazer, um outro moço, a quem dediquei meu amor, me chamou de ‘gordita”(si, hablava espanhol). Morri. Pirei. E acho que essa foi a coisa mais pesada que fiz na minha vida: parei de comer. Sério: passava um dia inteiro com apenas UMA refeição, algo do tipo um potinho de tabule, e nada mais. Entre uma fome e outra, café com adoçante. Caminhadas l o n g a s do trabalho até em casa. Cerveja nos finais de semana com os amigos, e só cerveja, sem nenhum petisco. E dedo na garganta, pra completar o panorama de maluca. O tal moço? Sumiu. Eu fiquei com a dor.
Mas aí apareceu um outro que acha graça naquilo que sobra, que gosta da imagem e tem o habito de recortá-la pra si, sem pudores, que não se importa nenhum pouco com as meninas de manequim 38. Só aos 28 anos tive coragem de usar shortinho jeans, usar biquini e ousar no decote. Incrível, não?
Tirando as crises decorrentes da TPM, a vida vai bem: sem maiores transtornos, com chocolate compartilhado no meio da noite e jantares gostosos a dois.
(em tempo: pra quem nunca me viu na vida, não, eu não sou REALMENTE gorda, mas não entro num manequim 40 e tenho dificuldades de comprar biquínis)