dia dos namorados, sesc pompeia. pq dentro de todo punk mora um romantico...
(vanessa, do ludov e clemente, do inocentes)
praticante da fina e complexa ciência do achismo+projeto de mulherzinha crafter
dia dos namorados, sesc pompeia. pq dentro de todo punk mora um romantico...
(vanessa, do ludov e clemente, do inocentes)
Gostei e fiquei. Porque tem o boteco da esquina, com ovo colorido e outros quitutes duvidosos, cujo dono me conhece pelo nome. Gosto porque tem o mercadinho que, além de aceitar todos os cartões de crédito e debito do universo ainda vende fiado para o povo do bairro. Porque de dezembro até o carnaval tem a bateria da Vai Vai, e o ano todo tem o restaurante Rancho Goiano e a galopeeeeeeiraaaaaaaa!. Porque tem a vizinhança mais estranha e peculiar que eu já vi, assunto pra umas seis temporadas de série.
Das casas coletivas dos negros (ainda restam algumas perto da rua Uma) às casas geminadas dos imigrantes, chegando aos prédios da década de 60 (como o que eu moro) e aos moderníssimos, passear pela Rua Rocha é sempre bom para quem tem olhos atentos. E revela bonitezas como essas:
uma comunidade ribeirinha, localizada às margens do Rio Negro, se dedica anualmente a um rito um tanto peculiar. Há duas décadas foram achados os trapos das roupas de uma menina morta. O vestido é adorado e uma vez por ano, a própria menina fala pela boca de Santinho, o personagem central da história. Interpretado visceralmente pelo ator Daniel de Oliveira, Santinho é uma espécie de líder espiritual da região, faz milagres (ou pelo menos o povo acredita que ele faz) e dá bênçãos a uma infinidade de pessoas.
É nessa dicotomia entre o santo e o profano que o filme irá se sustentar. É entre o olhar denuncista (que vê um povo ignorante e carente ao ponto de adorar um vestido rasgado) e o olhar antropológico (que enxerga a beleza de manifestações populares tão distintas como essa) que A festa da menina morta se baseia. Assim, Nachtergaele é capaz de nos apresentar uma obra repleta de poesia. Mas uma poesia calcada na vida comum de uma população simples com pretensões não maiores do que o bem viver.
mais? em Moviola
Desde os quatro anos uso óculos: pobre menina míope e estrábica, que mesmo entrando na faca aos nove ainda hoje enxerga o distante fora de foco. Três internações por pneumonia, um coração de mãe partido por ter posto no mundo menina tão frágil, e uma ninhada de gatos a chiar no peito. Destra, tenho o dedo médio torto, resquício de professoras loucas que adoravam mandar fazer cópias e mais cópias, entre gritos e maus tratos. Contrariando a regra, virei professora. Com o tempo o cabelo que era liso tornou-se enroladíssimo, fazendo a mãe remontar a tempos ancestrais e procurar a origem de filha tão peculiar. Aos doze foi diagnosticada uma escoliose dorso-lombar que vem, paulatinamente, me arrancar dor e dinheiro, aplicado em relaxante muscular. Pro lado esquerdo. Nadei, nadei e nadei, na tentativa de amenizar os efeitos da má postura, porém meu lado esquerdo continuou dolorido.
Entrei na militância estudantil.