domingo, 14 de junho de 2009

ROQUEIROS TAMBÉM AMAM!

dia dos namorados, sesc pompeia. pq dentro de todo punk mora um romantico...

(vanessa, do ludov e clemente, do inocentes)

projetinho-bem-bobo para o dia dos namorados

pois bem, estou lendo demais alguns blogs sobre manualidades (devidamente linkados ai ao lado), que tem me deixado com a pulga atrás da orelha e as noites devidamente ocupadas, enquanto o moço não vem.
chegou o dia dos namorados, a grana curta, a cabeça cheia de idéias e
tchã-nam!
Temos um presente diferente!
Seguindo as dicas da Livoca (e seu presente, gata, como foi?) fiz assim:


CAIXA DE MEMÓRIAS
Todo mundo tem memórias, traduzidas em bilhetinhos, cartas, mimos ou outras frescurinhas de amor. Que passa, e daí vem outro e outro. Ou não. As minhas memórias estão devidamente guardadas numa caixa do correio e um dia, quando eu mudar de apê, ficarão no canto onde hoje está e alguém vai encontrar, abrir, ler e se emocionar, uma coisa meio Amelie. As memórias do moço eu bem sei onde estão e não conto pra ninguém. Pensando nisso (e numa embalagem bacana) fiz uma caixa de memórias, para ele guardar as nossas lembranças. Eu espero que o espaço seja insuficiente, claróbvio!
Caixa de papelão revestida com durex colorido e a palavra memória em todos os idiomas que o deus-google permitiu.

FRONHA-POEMA
Para as noites tranqüilas, um par de fronhas cobertas de poemas. Uma ficou multicolorida, com letras em tamanhos diferentes e desenhos; a outra, apenas letra bastão e caneta preta e vermelha. Para o tempo não apagar, fronhas 100% algodão e canetas para tecido.
Repertório? Os livros de poesia marginal, de chacal a Leminski. Também tem os encartes de cd’s curtidos a dois.
COPOS?
Para o futuro, coisas do passado: dois copos de milk shake daqueles beeeem antigos.
Da loja Serramar Brasil, na Rua Paula Souza

o resultado?
ele gostou bem muito...
Tenho o maior orgulho de dizer que moro na rua rocha, no bixiga. Muita gente torce o nariz, diz que é feio/perigoso/sei lá mais o que, mas não me importo: vejo graça até na feiúra da praça 14 bis, nunca fui assaltada ou ouvi um tiro sequer.
Embora esteja localizada bem próxima ao Centro (cerca de 1.500 metros do metrô Anhangabaú) e à Avenida Paulista, e ainda traga para si uma boa parte do transito local (e com ele o barulho das buzinas e aquele pó cinza dos carburadores), por mais incrível que pareça guarda ares de tranqüilidade, dependendo do trecho e da hora do dia.

Gostei e fiquei. Porque tem o boteco da esquina, com ovo colorido e outros quitutes duvidosos, cujo dono me conhece pelo nome. Gosto porque tem o mercadinho que, além de aceitar todos os cartões de crédito e debito do universo ainda vende fiado para o povo do bairro. Porque de dezembro até o carnaval tem a bateria da Vai Vai, e o ano todo tem o restaurante Rancho Goiano e a galopeeeeeeiraaaaaaaa!. Porque tem a vizinhança mais estranha e peculiar que eu já vi, assunto pra umas seis temporadas de série.

Das casas coletivas dos negros (ainda restam algumas perto da rua Uma) às casas geminadas dos imigrantes, chegando aos prédios da década de 60 (como o que eu moro) e aos moderníssimos, passear pela Rua Rocha é sempre bom para quem tem olhos atentos. E revela bonitezas como essas:


sábado, 13 de junho de 2009

para a querida,

pq a gente ainda gosta de brinquedos...


aqui: para voltar a ser criança...

a festa da menina morta

(putaqueopariu que filme desconcertante!)


uma comunidade ribeirinha, localizada às margens do Rio Negro, se dedica anualmente a um rito um tanto peculiar. Há duas décadas foram achados os trapos das roupas de uma menina morta. O vestido é adorado e uma vez por ano, a própria menina fala pela boca de Santinho, o personagem central da história. Interpretado visceralmente pelo ator Daniel de Oliveira, Santinho é uma espécie de líder espiritual da região, faz milagres (ou pelo menos o povo acredita que ele faz) e dá bênçãos a uma infinidade de pessoas.

É nessa dicotomia entre o santo e o profano que o filme irá se sustentar. É entre o olhar denuncista (que vê um povo ignorante e carente ao ponto de adorar um vestido rasgado) e o olhar antropológico (que enxerga a beleza de manifestações populares tão distintas como essa) que A festa da menina morta se baseia. Assim, Nachtergaele é capaz de nos apresentar uma obra repleta de poesia. Mas uma poesia calcada na vida comum de uma população simples com pretensões não maiores do que o bem viver.

mais? em Moviola

terça-feira, 9 de junho de 2009

hoje, começo da noite, no datena:

RIALTO
(sobre a greve na USP)

"Mas porquê eles não sentam com o Governador e conversam com ele?"
"Fez barricada, tem que chamar a polícia mesmo"
"Tem escolas por aí que não tem nem sala, a USP tem tudo!"
"Vai estudar!"

segunda-feira, 8 de junho de 2009

da origem

Desde os quatro anos uso óculos: pobre menina míope e estrábica, que mesmo entrando na faca aos nove ainda hoje enxerga o distante fora de foco. Três internações por pneumonia, um coração de mãe partido por ter posto no mundo menina tão frágil, e uma ninhada de gatos a chiar no peito. Destra, tenho o dedo médio torto, resquício de professoras loucas que adoravam mandar fazer cópias e mais cópias, entre gritos e maus tratos. Contrariando a regra, virei professora. Com o tempo o cabelo que era liso tornou-se enroladíssimo, fazendo a mãe remontar a tempos ancestrais e procurar a origem de filha tão peculiar. Aos doze foi diagnosticada uma escoliose dorso-lombar que vem, paulatinamente, me arrancar dor e dinheiro, aplicado em relaxante muscular. Pro lado esquerdo. Nadei, nadei e nadei, na tentativa de amenizar os efeitos da má postura, porém meu lado esquerdo continuou dolorido.

Entrei na militância estudantil.

quinta-feira, 4 de junho de 2009