sábado, 13 de junho de 2009

para a querida,

pq a gente ainda gosta de brinquedos...


aqui: para voltar a ser criança...

a festa da menina morta

(putaqueopariu que filme desconcertante!)


uma comunidade ribeirinha, localizada às margens do Rio Negro, se dedica anualmente a um rito um tanto peculiar. Há duas décadas foram achados os trapos das roupas de uma menina morta. O vestido é adorado e uma vez por ano, a própria menina fala pela boca de Santinho, o personagem central da história. Interpretado visceralmente pelo ator Daniel de Oliveira, Santinho é uma espécie de líder espiritual da região, faz milagres (ou pelo menos o povo acredita que ele faz) e dá bênçãos a uma infinidade de pessoas.

É nessa dicotomia entre o santo e o profano que o filme irá se sustentar. É entre o olhar denuncista (que vê um povo ignorante e carente ao ponto de adorar um vestido rasgado) e o olhar antropológico (que enxerga a beleza de manifestações populares tão distintas como essa) que A festa da menina morta se baseia. Assim, Nachtergaele é capaz de nos apresentar uma obra repleta de poesia. Mas uma poesia calcada na vida comum de uma população simples com pretensões não maiores do que o bem viver.

mais? em Moviola

terça-feira, 9 de junho de 2009

hoje, começo da noite, no datena:

RIALTO
(sobre a greve na USP)

"Mas porquê eles não sentam com o Governador e conversam com ele?"
"Fez barricada, tem que chamar a polícia mesmo"
"Tem escolas por aí que não tem nem sala, a USP tem tudo!"
"Vai estudar!"

segunda-feira, 8 de junho de 2009

da origem

Desde os quatro anos uso óculos: pobre menina míope e estrábica, que mesmo entrando na faca aos nove ainda hoje enxerga o distante fora de foco. Três internações por pneumonia, um coração de mãe partido por ter posto no mundo menina tão frágil, e uma ninhada de gatos a chiar no peito. Destra, tenho o dedo médio torto, resquício de professoras loucas que adoravam mandar fazer cópias e mais cópias, entre gritos e maus tratos. Contrariando a regra, virei professora. Com o tempo o cabelo que era liso tornou-se enroladíssimo, fazendo a mãe remontar a tempos ancestrais e procurar a origem de filha tão peculiar. Aos doze foi diagnosticada uma escoliose dorso-lombar que vem, paulatinamente, me arrancar dor e dinheiro, aplicado em relaxante muscular. Pro lado esquerdo. Nadei, nadei e nadei, na tentativa de amenizar os efeitos da má postura, porém meu lado esquerdo continuou dolorido.

Entrei na militância estudantil.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

domingo, 31 de maio de 2009

recuperando o tempo perdido

tá, eu li pouco. por mais que eu diga que sou bem sabida em literatura (opaperalá, eu não fiz letras!) e por mais que eu tenha lido por aí, principalmente literatura marginal (ai, sempre eles!), admito que faltou uma coisinha básica mas fundamental: ler os clássicos. a minha lista de livros imperdíveis é longa, e será inaugurada por Alice, que ganhei de presente do namorido ("como assim, vocÊ nunca leu?"). Vale dizer que o livro é lindo e cuidadoso, com inumeras notas e comentários, além das ilustrações.


qual será o próximo da lista?

Depois de Garapa, o José Padilha tem TODOS os créditos comigo...

não há o que comentar. e ponto.

Já tem uma semana que meu pai me deu um abraço, o primeiro e inaugurador dos meus 28.

Nós nunca tivemos uma relação de proximidade física: embora as conversas fossem sempre longas e o interesse dele por tudo o que faço fosse continuo e crescente, o máximo que havia recebido até então era um aperto de mão e um parabéns quando entrei na faculdade. Só.

Festa de fim de ano, casamento, nascimento, nada. Quando a mãe dele morreu só o vi chorar no instante em que o caixão desapareceu naquele buraco, e o máximo que consegui fazer foi oferecer um lenço. Só. Me arrependi de não o ter confortado com um abraço, mas ao mesmo tempo eu não sei como se conforta alguém que perde a mãe.

E então ele vem do nada, com uma alegria gratuita, me abraça e diz: Parabéns pelos seus anos bem vividos.

Devia tê-lo abraçado mais.