terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Domingo à noite. Saí da calmaria do meu quarto, atendi o chamado e fui ao Espaço Parlapatões, prestar solidariedade a um cara talentoso e a um lugar que aprendi a amar.

Mais uma tentativa de assalto, mais vitimas numa cidade cheia delas, ok?


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Comecei a freqüentar a praça Roosevelt há três anos, guiada por alguém que faz do seu amor pelo centro uma luta diária insana. Moradora e/ou freqüentadora da Zona Oeste, até então uma boa parte do Centro era desconhecido pra mim, resquício das proibições e medos do pai (“lá é lugar de puta/traficante/cheirado de cola, vc não vai!”) .

O destino fez com que eu fosse trabalhar bem no meio da praça da república, e justamente comoeducadora comunitária de uma escola de educação infantil. Comecei então a me envolver com as questões o Centro e a participar dos encontros do Viva o Centro, e a me encantar pelas histórias e seus donos que, generosos, me pegaram pela mão e me levaram pra passear.

Assim eu comecei a assistir os espetáculos, freqüentar os bares, e o amor dos outros pela praça virou o meu também. Aos poucos entendi a história do lugar, e de como aquele ambiente vibrante era fruto de árduo trabalho dos grupos teatrais ali instalados, e de como ele se difere de outras áreas da região central.

O tempo passou e a Praça, meio do caminho entre a minha casa e a do moço, virou o ponto de encontro entre amigos, o lugar do sanduíche gostoso, da cerveja barata, da livraria bacana, da vasta opção de espetáculos de qualidade e preço justo. Para além da boemia, pra mim a Praça é marco da ocupação e mudança do espaço, mesmo sem apoio do poder público.

A rua precisa ser ocupada. Caso contrário, vira o Largo da Memória, ponto de meninos que cheiram cola e batem carteiras, cotidianamente. Porque ali, marco histórico da cidade, as pessoas passam, apenas. Nada fica, nem poucos segundos de atenção para os azulejos centenários, nada. Quem passa não se importa: só cuida do lugar que permanece.

Por acreditar nessas coisas eu fiquei bem puta com a Revista da Folha que, a um tempo atrás reduziu a praça aos bares e aos “botequeiros”, e entristecida com o coiso todo nos Parlapatões.

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Ps: eu acompanho os parpapatões há mais de dez anos, desde o dia em que eles se apresentaram em Mauá, numa caravana SESC de artes, e eu amei.

Ps2:. Tem algumas coisas que merecem ser lidas:

Blog do Nassif

Blog da Márcia Abos

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

um bilhete,

para alguém bem perto (longe)

eu só queria te dizer que passa, que o tempo cura, que as coisas dão certo sim, por mais que se diga o contrário, por mais que a gente pareça imerso numa maré de má sorte, por mais que a gente diga que não.

que a vida tem uma graça, uma graça boba de risada de criança e de cerveja gelada com os amigos num dia de calor. que nada faz sentido nessa vida de meudeus, que tudo é meio caótico sim, mas ainda assim gracioso.

que não precisa ter medo. ou melhor: que o medo fique quietinho no canto do quarto enquanto se vive. que o trate com respeito, que lhe diga boa-tarde e boa-noite. e só. pois medos são importantes mas não precisam ser carregados na mochila, que todo mundo tem o seu mas todo mundo finge muito bem que está tudo bem.

queria te dizer que a vida é repleta de surpresas e que a gente precisa estar atento/sensível/disposto a perceber as coisas, por mais que isso pareça piegas e/ou livro de auto-ajuda, pois não é.

é preocupação de gente que já viveu e, inexplicavelmente, se preocupa. com você.

Paredes brancas me angustiam

Depois das grandes mudanças realizadas nessa casa nos últimos tempos, ainda restava uma parede branca-e-sem-graça no meu quarto, na cabeceira da cama. Na sexta-feira passada tive um ataque de siricutico e resolvi mudar tudo, com o que tinha à mão: vasculhando nos blogs alheios, de link em link cheguei aqui e aqui. Cinco minutos depois eu já estava esvaziando minhas latinhas e ligando a pistola de cola quente na tomada.

Resultado: materiais de artesanato, como botões, fitas e pastilhas, improvisados em tupperware, no mais perfeito caos, e uma parede muito mais bacana.

Tudo ficou assim:

ps: as fotos ficaram horrendas, eu sei.

ps2: estou avisada: se, por um acaso, alguma lata cair durante a noite e acertar a cabeça do moço, haverá uma cena de violência doméstica.

ps3: viva a cola quente!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pedido de casamento

Eu só queria te dizer que sim.

Sim, eu aceito e assumo os riscos. Só preciso de espaço suficiente para os meus livros, nem faço tanta questão do resto. Alias, não faço questão de nada, festa, formalidades, nada. Sei da necessidade de viver isso tudo até o talo, até onde não houver mais fôlego. Pois, depois do beijo na testa antes de dormir, dos afagos, da mão na mão na hora do aperto, das graças, das brigas e reconciliações, de toda a libertação que o encontro desencadeou, depois de tudo, não quero mais o pouco.

Daí já vem um outro e me lembra de que tudo acaba, e eu bem sei que tudo tem seu prazo de validade, mas ainda assim arrisco. Você me vale todo o risco.

Dá pra entender essa minha necessidade em persistir nos erros? Não, eu sei que não dá, que nos tempos modernos não cabe mais um amor assim, passional. E eu faço o que? Troco meu coração na feira do rolo por uma quinquilharia qualquer?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

vício

depois de dr. house e how i met your mother...

flash forward!
o mundo pára por 2:17. nesse tempo as pessoas tem um flash de como será as suas vidas dali a 6 meses. o que fazer a partir dessa visão?


(ainda primeira temporada, já no aguardo, com nervos a flor da pele, do 8º episódio)

domingo, 8 de novembro de 2009

valsa com bashir

tardiamente assistimos Valsa com Bashir. terminado o filme, restaram as dúvidas: porque eu demorei tanto pra assistir?; isso tudo é verdade?; se sim, quais os desdobramentos de tais fatos? que droga de curso de história eu fiz que não me lembro do que rolou no líbano na década de 80?
o deus-google ainda não me deu todas as respostas, mas uma coisa é certa: é uma ótima animação, completamente diferente de Persépolis (ambos falam sobre memória de guerra), é mais agressivo, nas imagens e no modo como a história é contada.
mereceu cada um dos muitos prêmios que recebeu, fato.

na folha de ontem:

Prefeitura quer tornar região da Barra Funda a mais populosa de SP

Projeto para estimular a ocupação prevê aumentar para 230 habitantes por hectare a ocupação, que hoje é de 90

Verba para obras virá de operação urbana que inclui parte de Perdizes e Água Branca; ideia é aproveitar a infraestrutura pouco usada

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A barra funda virou hype. lá há uma porção de novos bares/baladas/points para onde a moçada descolada da cidade se desloca, deixando pra lá a vila olímpia e a vila madalena.

me chame de conservadora, mas eu não gosto nada disso.

pra mim a barra funda deveria permanecer assim do jeito que a conheci há 5 anos: com suas casinhas operárias, as velhinhas nas calçadas, a galera na quermesse da igreja de santo antônio, o barulhinho do trem passando, e os meus alunos indo jogar bola no areião, a tranquilidade do bairro em oposição ao caos do Centro, tão próximo dali.

e, se de fato o projeto da prefeitura vingar, teremos um bairro invadido por um bando de playboys e patricinhas que pouco se importam com as histórias nem as pessoas do lugar.

ps: pesquisando no google sobre casas operárias cheguei aqui

das invenções


flores de feltro, segundo o precioso tutorial do superziper. a azul é um broche e a vermelha, um tictac pra prender no cabelo.

sabe a feira "como assim?", aquela que acontece ao lado do conjunto nacional? então, há uns 2 meses vi um colar lindo (e caro), achei diferentão e bacanérrimo. olhei com cuidado e voltei pra casa com a sensação de que eu poderia fazer um também, e aí está!