praticante da fina e complexa ciência do achismo+projeto de mulherzinha crafter
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
“solta pêlos-cheira mal-faz xixi no chão-late-avança-INCOMODA”
Na tentativa de amenizar o constrangimento com aqueles que se queixaram, hoje o jantar será por sua conta. Na panela o incomodo, ensopado com batatas.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Amei.
Mas amei muito mesmo: casei e separei, namorei no portão, namorei por muito tempo e por poucas semanas. Ou pela eternidade de uma noite na Augusta. Tive namorado à distancia, tive namorado ator, militante politico, esportista. Já namorei/desnamorei/namorei de novo, e isso tudo duas vezes. Já tive namorico com gente mais nova e mais velha. Já quase mudei de país por um amor, quase mudei de Estado. Quase. Já traí, já me trairam, já chorei baixinho, dei escandalo, bati porta, roí unha e, num ato desesperado de amor-quebrado cortei o cabelo bem curto, como se os cachos pelo chão apagassem a dor. Já fui muito feliz. E triste também.
E justamente por tudo isso eu consigo afirmar: agora é. Sem duvidas, sem crises, sem medos, agora é.
Depois de passar por tudo isso me restou apenas o amor tranquilo do moço que tá ali na cama a me dizer, agora agorinha “amor, vamos dormir?”
Simples assim.

Finalmente descobri sobre o que quero falar, e isso é um passo grande e doloroso.
Porque eu sou indecisa. Ou porque eu acabo me envolvendo com muitas coisas, muitos assuntos, sem relação entre si. É assim desde sempre. Na graduação, trabalhei com segurança e insegurança escolar, com vocabulário politico do século XIX e educação inclusiva, três assuntos em três departamentos completamente diferentes: sociologia, história e educação.
Terminei a graduação, dei um tempo e abri uma skol. Trabalhei direitinho, virei professora de sala de leitura, indiquei Neil Gaiman pra 5ª série, contei história pros alunos da EJA. Entendi que por mais que eu queira e acredite, não dou conta de trabalhar na periferia da periferia e perder tres horas da minha vida no transporte público e, o mais importante, cruzar na esquina com aluno armado/e/ou um corpo. Então voltei pro Centro e pras crianças pequenas, as quais dedico minhas histórias, músicas, cafunés e broncas. Em especial, às bolivianas. De quem eu quero falar.
Bem, quem me colhece já ouviu essa história um trilhão de vezes: eu trabalho na região central da cidade, entre os bairros da Barra Funda e Bom Retiro. Por ser em período integral, a escola acaba por receber filhos dos trabalhadores da região, entre eles os bolivianos que trabalham nas oficinas de costura do Bom Retiro. São crianças com uma trajetoria bem diferente das demais, e eu nao sei até que ponto a gente dá a atenção necessária a essas particularidades. É comum dessas crianças a dificuldade em falar portugues, ou se alimentar na escola.
Devido a minha curiosidade latente, resolvi tentar entender melhor a esse grupo que atendemos: primeiro, ouvidos atentos e cuidado no acolhimento dessas familias bolivianas, de modo que eles pudessem sentir confiança e apoio no trabalho desenvolvido na escola. Segundo, entende-los em sua peculiaridade. Isso me levou à Kantuta.
Kantuta, um mundo à parte
Muitas crianças falavam sobre passos de dança e ensaios, que eram realizados aos domingos. Descobri que a coisa toda acontecia numa praça no bairro do Pari e fui lá ver: uma mistura de cheiros e cores, um mundo diferente de tudo o que já tinha visto. Comidas, temperos. Dvd’s e cd’s. Instrumentos musicais, tecidos. Bebidas. E uma santa, a quem todos devem devoção. Vi, comi e fui embora, meio encabulada de entrar num território sem convite.
Fui outras vezes, e mais atenta, comecei a reconhecer rostos sorridentes: “olá professora, sou mãe da fulana de tal, que bom que voce veio conhecer nossa feira!”. Assim eu recebo explicações com sotaque e risadas, enquanto brinco com uma criança e converso com outra mãe.
Daí que eu quero entende-los. Isso mesmo: compreender a presença dos bolivianos em São Paulo. Que eles são quase-escravos, isso todo mundo já sabe. Agora, o que não sai no jornal é esse modo bonito que eles tem de cultivar a cultura e a memória, adaptando seus costumes a uma terra tão estranha a eles.
Então, o programa de domingo será, por algum tempo, ir no Pari aos domingos, na hora do almoço, e conversar com as pessoas. E fotografar, e filmar, e conversar mais um pouco...
(sabe a foto do início do post? os mais velhos ensinavam ao mais novo - que foi meu aluno - passos de dança)
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Twitter é uma coisa!
Apesar disso, tem se mostrado importante fonte de informações. Linkado por @SoninhaFrancine cheguei aqui e... putaqueopariu que trabalho bonito! Uma São Paulo nenhum pouco clichê, coisa que eu adoro!
Uma amostra do que ta lá e que passa longe do usual retratado sobre a cidade:


créditos: Hélvio Romero, reporter fotográfico do Estadão.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Caio F., amigo intimo

conheci o Caio na faculdade, nos meus 23. aula de psicologia da educação, julio groppa aquino, o professor mais intenso-e-chato que já tive, tinha por habito iniciar suas aulas lendo um texto literário de sua preferência: afirmava que na docência e na universidade todo nosso tempo era dedicado à teoria, deixando assim o mundo literário em segundo plano. numa noite resolveu nos apresentar ao Caio, com uma leitura de “dama da noite”, repleta de sarcasmo e ironia. amei.
e desde então compro-e/ou-leio tudo sobre o Caio: virou meu amigo intimo, freqüentador assíduo da minha estante de livros.
toda essa volta apenas para comentar a capa do caderno Ilustrada, da Folha desse sábado. o texto “caio entre amigos” relata a nova biografia do autor, escrita por Paula Dip, baseada nas cartas escritas por Caio e nos depoimentos de seus destinatários, demonstrando como a sua trajetória traça um interessante painel dos anos 80. ainda tem um texto do Luis Augusto Fischer (até então meu caro desconhecido), bem bacana, em que diz : “O que mais chama a atenção é que a força de Caio, quer dizer, de sua literatura (hoje essa mistura ganha o elegante nome de autoficção, como Auster ou, sei lá, Mirisola), não vem do apelo sensacionalista que alguns quererão ver em sua obra, mas procede do exame minucioso a que submete as percepções e sensações íntimas de gente como o leitor e eu, pertencentes à civilização dos Beatles.”
assim como o tal professor me pegou de jeito com aqueles textos de puro sentimento intenso lidos em voz alta, rompendo a monotonia de nossas noites de cansaço e sono, assim faço com quem eu conheço: leio em voz alta as angustias de personagens tão urbanos e confusos, como eu e você, em meio as sirenes, as buzinas e o caos de nossos sentimentos.
(no aguardo da tal nova biografia, revendo os livros antigos)
domingo, 12 de julho de 2009
surreal
O silencio da noite foi rompido por seu lamento: gritou a sua dor, acordando todos os moradores dos 14 andares do Edificio Maracanã que, desejosos por mais uma noite de sono e nada compreendendo, imaginaram esse ser mais um dos inumeros evangelicos da praça da Sé em meio a uma pregação/exorcismo ou coisa parecida.
Mas não.
O porteiro não deu conta de atender os interfones repletos de sono dúvida queixa e temor. E à policia, que chegou para atender o chamado de alguém do terceiro andar.
De nada adiantou: o corredor não comportou a sua loucura, que invadiu o apartamento vizinho e ultrapassou a janela.
Caiu do terceiro andar na rua quirino de andrade. Azar: com um muito mais de impulso talvez caisse na xavier de toledo ou, com sorte, poderia ter sido a Consolação.
Mas não.
Foi apenas mais um anonimo a alçar voo no centro de São Paulo. E não chegar a lugar algum.
(do email, explicando tudinho pro moço:
Querido
Tenho que te contar o fato bizarro que ocorreu comigo nessa noite!
Saí do trampo e fui pra sua casa, pra botar ordem na coisa. Limpei, arrumei, organizei, o tempo passou e resolvi dormir lá mesmo. Duas da manhã acordo assustada com a gritaria. Tranquei todas as fechaduras da porta, espiei pela janela e os vizinhos me explicaram que era no terceiro andar. O maluco gritava alucinadamente, pedindo por Jesus, pela mãe e por sei lá mais o que, numa coisa meio “pregador da praça da Sé” saca? Pois bem, acompanhei a gritaria, que durou por ainda meia hora, foi ficando baixinho e abafado até acabar e eu pegar no sono.
Ponto.
Hj de manha fui perguntar pro porteiro: o cara do terceiro andar, que teve problemas com drogas e havia passado por tratamento, resolveu voltar pra casa. A mulher não quis recebê-lo. Ele fez escândalo. Ela chamou a policia. Ele fez mais escândalo e uma curiosa vizinha abriu a porta, ele entrou no apê dela e se jogou da janela. Morreu.
Surreal, não? )
Meu nome é nuvem
Pó, poeira, movimento
O meu nome é nuvem
Ventania, flor de vento
Eu danço com você o que você dançar
Se você deixar o coração bater sem medo”
No quesito trilha sonora da minha vida o cd Clube da Esquina ganha em disparado. não há uma razao lógica pra coisa: acho o conjunto das musicas que formam o album de uma boniteza só, presença nos fones mais que perfeita para as minhas tantas andanças por Minas. Inclusive uma delas foi guiada pelo texto delicioso do Marcio Borges, no Guia de Belo Horizonte Roteiro Clube da Esquina.
As misturas, as variações de ritmo, os instrumentos utilizados, as letras, essa coisa de afirmar o particular (a identidade mineira) sem se opor as influencias estrangeiras, o dialogo entre as tradicionais cançoes da terra, os irmaos latinoamericanos e a modernidade. E tem aquelas coisas de musica que eu nao sei explicar mas que sinto. E gosto.
Para além da rasgaçao de seda, nesse sabado rolou um show do Lô Borges na abertura do Festival de Inverno de Paranapiacaba.
Desafiando o frio e a chuva, fui.
E foi lindo...
(fotenha da Pri, a irmã que tenta fazer boas fotos, mas a camera não coopera...)
sexta-feira, 3 de julho de 2009
em off
(para animar o final de semana que terá festa de criança brigadeiro e tudo o mais...)
Doze coisinhas à toa que nos fazem felizes
Andar de skate num ligar lisinho
Tomar sorvete do de palitinho
Passar a mão, de leve, no gatinho
Andar na chuva que é pra se molhar
Passar cola na mão e descascar
Acabar a lição pra ir brincar
Jogar estalo pra estalar no chão
A cor azul das penas do pavão
Ver na TV seu clube campeão
Ver gelatina tremendo no prato
Nadar depressa usando pé-de-pato
Mostrar a língua pra tirar retrato
(poema da ruth rocha, que meus aluno sabem de cór!)
