caro leitor (há algum?)
meu tempo de militante ficou pra trás, exatamente em 1976. hoje sou uma feliz dona de casa num universo fofo&colorido, mas a revoltada de antes as vezes vem a tona.
Eu sou uma aluna da UNIVESP.
Não, isso não é motivo de orgulho. Apesar do discurso inflamado do governador no dia da aula inaugural, ressaltando que o futuro do ensino superior no país está no ensino a distancia, que nós, os novos alunos da nova universidade havíamos passado por um processo seletivo rigorosíssimo, quase tão concorrido quanto as carreiras mais disputadas da USP no quesito relação candidato/vaga, o que tem ocorrido, para mim, é um sutil desmantelamento da universidade pública. Eu não bati a cabeça nem voltei pra década de 70, mas passei cinco anos da minha vida na universidade pública, com suas qualidades e muitos defeitos, e acho que tenho repertório para fazer minhas queixas.
Vamos voltar para o começo de tudo: o governo do Estado, sob o argumento de oferecer formação de qualidade aos professores em exercício e ampliar o número de vagas na universidade pública, criou a Universidade Virtual do Estado de São Paulo, que funciona em parceria com as universidades estaduais, fazendo uso de seus espaços físicos e de alguns professores para o oferecimento de cursos semipresenciais. Superbacana, até nos depararmos com a realidade posta: alunos UNIVESP não tem acesso aquilo que os alunos da UNESP tem, coisas básicas como biblioteca, lanchonete, carteirinha de meia entrada e de passe (reza a lenda que ela chegará agora no mês de agosto, e olha que somos alunos desde março!), uma sessão de alunos para obtermos informações ou fazermos queixas. E os professores? Temos tutores, que orientam os estudos (a realização das tarefas indicadas na apostila) que apesar do esforço em realizar um bom trabalho, pouco sabem sobre a dinâmica do curso, e uma professora orientadora, que as vezes aparece e não dá conta de tantas reclamações.
Já estamos em julho e pouco aconteceu. Fico pensando cá com meus botões o tamanho desse absurdo, pois no final de três anos sairemos com um bonito diploma da UNESP, provavelmente com metade do repertorio de um aluno do curso regular. Pra mim, o escancaramento da proposta neoliberal está nesse curso, na proposta de abrir mais vagas na universidade pública sem preocupação com a qualidade. E de certo modo tô aqui, compactuando com tudo isso, já que prestei o vestibular, passei, freqüento as aulas e ainda não desisti, como uma boa cordeira.
Por isso tudo que eu concordo com o povo do DCE da USP. Não sei se eles sabem de tudo, se já se infiltraram num curso da UNIVESP pra saber qualéqueé ou se levantam a bandeira do contra só de ouvir falar. O que muito me assusta é não ver o Diretório Estudantil da UNESP falar nada a respeito, e me assusta mais ainda perceber que já passou um semestre e nós, estudantes&sofredores da UNIVESP não termos feito nada além de cartas ameaçadoras, textos toscos e queixas quase-sindicais e pouco maduras para os professores que somos.
Entonces, tô quase partindo pro radicalismo.
A queixa do povo da USP, aqui