praticante da fina e complexa ciência do achismo+projeto de mulherzinha crafter
terça-feira, 28 de junho de 2011
o que levar em caso de incêndio/enchente/catástrofe/invasão alienígena
Toda a vez que volto pra casa, desço a rua devagar, e da esquina dou uma olhadinha para a minha janela, para ver se está tudo bem. Já me chamaram de louca, mas eu tenho um medo real de que algo ocorra, que o apartamento pegue fogo, algum ladrão apareça, uma invasão alienígena, que algum cano estoure ou que as formigas finalmente tomem conta, sei lá. O fato é que tenho muito medo que algo ruim ocorra com o espaço que passei a chamar de lar e com tudo o que há dentro dele, dos eletrônicos comprados a prestação às memórias do que já passamos aqui.
Loucuras a parte, entrei nesse site, fui pra esse, que me encantou pela proposta, que de certo modo permeava a minha imaginação faz tempo: o que eu carregaria em caso de incêndio? Pessoas do mundo todo pensaram e a coisa foi mais ou menos assim:



Fiquei matutando, e acho que seria mais ou menos isso:
- vitrola linda, meu ultimo presente de aniversário;
- ekeko, amuleto usado pelos povos andinos;
- HD externo com todas as nossas fotos, textos e sei lá mais o quê;
- casaquinho vermelho e cachecol verde, porque ninguém quer morrer de frio;
- conga rosa, meu xodó;
- óculos!
- a velha Polaroid, que foi do meu pai e agora é do meu marido;
- a caixa de memórias, onde estão guardados os papeis, cartas, bilhetinhos que contam uma parte da nossa história;
- minha maquina de costura-sonho-de-consumo, desejada há muito tempo;
- macaco colorado e a bonequinha chilena, uma telma em miniatura (os amores vão, mas um presente lindo desse tem que ficar, né?)
Colocaria na mochila também alguns livros de fotografia, história da arte e quadrinhos, mas esqueci de adicioná-los para a foto L
E você, o que levaria na mala?
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Dia 5 da dieta
Não morri. Minhas lombrigas, talvez.
Hoje chegou a minha balança de banheiro, que custou míseros R$29,90 no Submarino. Porque demorei tanto pra comprar?
Resposta 1: porque é frescura demais um item desse mediante as nossas necessidades imediatas (quais?);
Resposta 2: porque eu tenho medo de balanças.
Emagreci um quilo. Nessas revistas de mulherzinha que tem por aí o povo jura que é possível emagrecer três quilos por semana ou mais. Duvido. Sei que esse um quilo foi difícil (que fazer sem chocolate e coca cola, hein?), mas só de saber que a reeducação alimentar gera resultados quase imediatos já me deixa feliz e tranqüila, pois indica que os remédios para emagrecimento, tão temidos, talvez não sejam necessários.
Hoje é sexta e tenho uma vontade enorme de tomar cerveja escura e comer um hambúrguer no The Fifties. Fechar a boca não é tarefa fácil.
PS: não sou obesa, longe disso. Também não sou obcecada pelo corpo perfeito, longe disso também. Perder quilos hoje para mim é fundamental. E para a minha coluna também.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Dia 1 da dieta: meus chocolates estão órfãos.
Acabei de jogar no lixo, com muita dor no coração, mais da metade de um pão doce, daqueles com creme e coco ralado, da Pão de Ló. Não quero dar o mesmo fim para as duas caixas de alfajor uruguaio e a caixa de bocaditos, que ficarão escondidos por um longo tempo ainda, apesar do amor que sinto por eles. Nunca fui gorda GOOOORDA de verdade, mas depois dos meus últimos problemas ganhei 8 quilos, que me colocaram no grupo de pessoas com "sobrepeso" e que só tem atrapalhado a minha coluna defeituosa.
Tomei vergonha na cara, fui numa endocrinologista, que me indicou uma nutricionista, que me indicou uma dieta: refeições com horário certo, prato repleto de vegetais e pobre em carboidratos, vamos cortar o doce/queijo/refrigerante, ok? Segundo a nutricionista, é possível sim perder peso apenas controlando a alimentação, sem a prática de exercício físico. Veremos.
Com a tabela que me foi dada, elaborei um cardápio semanal que me ajudou na lista de compras do mercado, que além dos vegetais em abundância ainda contava com adoçante, suco light, leite desnatado e margarina Becel. GENTE, BECEL NÃO É VIDA! Passei a tarde de domingo fazendo filés de frango, temperando, congelando, lavando e secando verduras, embalando, organizando tudo para começar o regime hoje. SIM, MEU REGIME COMEÇA NA SEGUNDA E DAÍ?
Fazer dieta não é tããão difícil, requer organização e empenho, só isso. Antes da minha licença médica, eu era super organizada com alimentação, fazia marmitas com refeições equilibradas, congelava e ia comendo aos poucos, durante a semana. Vou precisar retomar isso.
Curto muito essa vida de comer legumes e verduras, MESMO, mas deixar meus chocolatinhos de lado é dureza, viu!
domingo, 12 de junho de 2011
presente público, nítido e explicito de dia dos namorados
ou
faltou grana mas eu te amo mesmo assim.

Eu não acredito em alma gêmea, amor à primeira vista, príncipe encantado, “felizes para sempre” e todo esse bla bla bla romântico que, para mim, só faz sentido para as moçoilas de quinze anos virgens&puras (hohoho). Eu acredito naquilo que vivo, e é essa a razão desse texto-presente: o acaso, um encontro e o universo que se abriu pra mim.
abre parênteses
Em 2005 eu já não acreditava na revolução nem no amor, apenas no rock. Voltei do Fórum Social Mundial (esse foi o último em Porto Alegre) com cd’s de uma banda local que ainda era bem tímida nas rádios daqui, a Bidê ou Balde. Ouvi, gostei e virei fã. Fui na gravação de um Acústico MTV (bandas gauchas, lembra?), em shows e, por fim, na gravação de um programa da MTV, o Fanático, que consistia em dois times respondendo questões sobre a banda e uma platéia desejosa pelo showzinho do final. E é aqui que a nossa história se cruza: postei lá na comunidade da banda no finado orkut as informações para aqueles que tinham interesse em participar do programa. Um fulano me pergunta se a coisa toda iria acontecer em Porto Alegre, me adicionou e se transformou em mais uma daquelas fotenhas que estão lá e você não se lembra ao certo a razão.
Pausa
Em
Eu, obviamente, disse “quer ajuda para conhecer a cidade?”, e foi assim que a nossa história (re)começou.
fecha parênteses
A gente se juntou na Praça da República com o objetivo de conhecer a cidade. Acabamos nos conhecendo, num revezamento insano entre os nossos apartamentos, até ter o nosso apartamento. Nesses quase quatro anos de convivência só posso dizer que, sem ser piegas, ele me liberta: aprendi muito sobre o mundo e sobre quem eu sou de verdade, sobre carinho, respeito e parceria, sobre família e amizade, mas sobretudo sou mais livre. Entendi que os relacionamentos não são perfeitos, as brigas são inevitáveis mas sempre existe o amanhã, a conversa mais coerente e o retorno à calmaria.
E eu sou muito feliz com ele, apesar da dor nas costas, da grana curta e do frio que faz em São Paulo. Porque ele me deseja, apesar dos quilos a mais, ri das minhas gracinhas e ainda me acha linda, mesmo eu já fazendo parte do time das mulheres de 30. Porque passeamos de mãos dadas no sol de domingo, recebemos os amigos aqui em casa no sábado à noite, cuidamos de dois hamsters que vivem brigando, porque viajamos e compartilhamos descobertas, porque fazemos planos e assistimos TV no final da noite, sob o edredom.
Porque ele vai na 25 de março comprar coisinhas para mim, porque ele acredita no meu potencial, porque temos uma visão de mundo semelhante, porque ele me leva pro hospital em caso de necessidade, porque ele roça o pé no meu toda noite, me lembrando que eu não estou sozinha no mundo.
Eu não sei quanto tempo dura. Sei que por hora ele me faz muito feliz ♥
sexta-feira, 10 de junho de 2011
festerê de 30
Pronto, fiz 30 anos. Achei digno e certo comemorar essa marca de algum modo, por mais que a vida esteja complicada nos últimos meses (oi? vc acabou de entrar aqui, não entendeu nada? Volte um pouco e leia minha historinha!)
Chamar os amigos para ir a um bar esbarra em alguns problemas:
a) bar você pode ir qualquer dia, né? Além de passar pelo problema da quantidade de pessoas/mesas disponíveis, ir a um bar é algo impessoal, e as pessoas não ficam de fato à vontade
b) valores: cada um paga o que consome, mas bar legal de verdade cobra um valor alto de entrada, o que poderia impedir a presença dos meus amigos ex-FFLCH-mãos-de-vaca
c) eu sinto dor, e volta e meia preciso sentar ou dar uma deitadinha. No bar não rola, né? E no mais, maio é um mês frio e propício à chuva e, como todos são feitos de açúcar...
Diante de todas essas questões resolvi fazer uma festchenha aqui em casa: lugar quentinho&aconchegante, música conforme o gosto do freguês, sem horário para acabar, comidinhas por minha conta e um adicional importantíssimo: games! Wii e PS3 pra diversão da galere.
Organizei a brincadeira da seguinte forma:
- fiz uma mesa de salgados, com azeitonas, pepinos em conserva, picles, cebolinha, salame, peito de peru, mussarela, provolone e gorgonzola (tudo isso comprado na zona cerealista por um preço digno), quatro tipos de patês e pães variados.
- para completar a parte “salgada” da festa fiz caldinho de feijão, bem quentinho e temperadinho com bacon, alho e salsinha fresca, que foi servido nas canecas que já tínhamos (olha, desconheço casal com mais canecas que a gente)
- na ala “doces” tinha brigadeiro de colher, feito com cacau em pó e com chocolate+café, jelly shots de morango e framboesa e, para substituir o tradicional bolo, cupcakes com cobertura de nutella.
- para decoração... QUE DECORAÇÃO MINHA GENTE? Só mudei os móveis de lugar, abri espaços, liguei a luz vermelha (adoro vermelho). Eu tinha garrafas pequenas de cervejas, que salvei da faxineira e que se tornaram lindos vasos para gérberas, que foram arrematados com laços vermelhos espalhados pela casa. Fiz ainda plaquinhas para a identificação das comidas, em papel de scrap e só!
Como eu já tenho um histórico de aniversários-fiascos, não nutri muitas expectativas: esperava umas 15 pessoas no máximo, mas no final das contas tínhamos 27 pessoas, que ficaram muito bem acomodadas entre a sala/cozinha/área de serviço e que se revezaram no Rock Band e o Dance Dance Revolution, e pelo que tudo indica todos se divertiram muito, pois do contrário não teriam ido embora as três da manhã, certo?
Sim, dá trabalho, sim, faz sujeira (no caso, foi bem pouca) e sim, é MUITO LEGAL.
E já estou aqui, planejando a próxima festinha...
O convite, virtual claro, porque somos modernos e conectados:
Assim ó:
No próximo sábado faço 30 anos, e tal data merece ser marcante (daqui pra frente a tendência é piorar). Por isso resolvi reunir pessoas aqui em casa pra comer, beber, falar bobagem e quem sabe talvez esperar o fim do mundo. Tá desatualizado? http://migre.me/4xuaR. Vem, vai ser legal!
ou
Faz pouco mais de um ano que rolou o ajuntamento de escovas de dente e não houve nenhuma cerimônia, nenhum evento, nenhum chá de panelas ou de cozinha pra marcar a união, pois na época e um pouco depois da tal época ficamos super enrolado com varias questões, que de certo modo atrapalharam a realização de qualquer evento social. Agora que a vida ta tranqüila a gente pode, finalmente, chamar as pessoas para o próximo sábado, dia 21, pra conhecer nossa casa, pra beber, comer, falar bobagem e talvez esperar o fim do mundo.
Então, serão dois eventos numa só data e local, olha que beleza!
O combinado é simples: chegar por volta das 20:00 e trazer bebidas! O salgadinho de isopor e os amendoins ficam por minha conta. Não será assim, uma meeeega balada pois afinal os vizinhos são um pouquinho chatos e eu não estou em condições físicas para fazer lá grandes coisas (oi, eu sou uma pessoa de quase 30 com coluna de 62) Ah sim! Pode trazer também o seu jogo preferido: quem sabe até role uma partida de dominó, war, poker, hein? Caso tenha a bateria e/ou guitarra do Rock Band, traz também!
(tem gente nessa lista de convidados que encontrei na semana passada bem como outros que não vejo há muito, muito tempo. Não interessa: se está nessa lista é porque realmente gostaríamos de ver por aqui!)
"quero aprender a ler pra poder casar"
Sua razão, a mais nobre possível: quer aprender a ler e a escrever, pois seu namorado, futuro noivo, é um italiano que mora por hora no Rio e deseja voltar para a sua terra natal, com ela a tiracolo. Quer aprender tudo o mais rápido possível, pois teme pelo futuro do relacionamento, já que ele não sabe sobre o seu analfabetismo ou, caso vá morar na Itália, que a sua vida seja impraticável por lá.
Aceitei o desafio, e iniciamos os nossos encontros.
A tal vizinha já estava fazendo aula particular aqui mesmo no bairro, e queria que eu desse um “reforço”. Além da sondagem inicial, da escrita do nome e do reconhecimento das letras do alfabeto, pedi para que ela trouxesse o material que a outra professora está trabalhando. Hoje ela trouxe, toda feliz, e esse é o motivo desse texto:
A PROFESSORA DEU UMA CAMINHO SUAVE PRA ELA!
Meu primeiro impulso foi queimar, juro. Não que eu seja uma pessoa adepta da fogueira de papel, sou uma tarada por livros, mas cartilha, e Caminho Suave, é forçar a barra, porque fui alfabetizada com esse livro, composto de frases sem sentido como “vovô viu a uva”, e exercícios de repetição e cópia, nada significativos, além de conteúdo infantilizado para um adulto.
Ao ver aquela cartilha e a série de exercícios de cópia solicitados pela outra professora, ficou uma coisa muito evidente para mim:
O fracasso escolar da minha vizinha (e de tantos outros) deve-se a sua vida complicada, mas muito mais à escola, na figura da instituição ou dessa professora aí e de tantas outras, que ignora e não se sensibiliza com as dificuldades e necessidades alheias, infantilizando o aluno e o tratando como idiota. Porque, colega, mandar uma senhora copiar uma série de palavras sem sentido algum não dá, né?
Por hora eu faço o que posso, começando do nome dela e das filhas, que é o mais significativo dos pontos de partida. E vamos acelerar o passo, dado que ela fica noiva nesse final de semana e, segundo suas expectativas, o casório acontece daqui a uns três meses, pois afinal o amor não pode esperar

domingo, 15 de maio de 2011
Olha,
Eu li a matéria na Folha e achei o fim da picada um grupo de moradores de Higienópolis, um grupo pequeno até, fazer pressão sobre o governo do Estado e conseguir mudar o endereço de uma estação de metrô. Fiquei indignada com os argumentos utilizados por uma moradora do bairro, relacionando transporte público a concentração de pobres no entorno, e de camelôs e sei lá mais o quê que esse grupo traria a tiracolo.
Depois de ler isso, lembrei de um acontecimento que me deixou com a pulga atrás da orelha por muito tempo:
A Mari é dona do Zé, um Chevette antigão, que apesar da aparência meio abatida não deixa ninguém na mão. Pois bem, há pouco tempo estávamos saindo de um evento, e eu estava com dor. Ela, boa amiga, antes de me deixar em casa resolveu encontrar uma farmácia de plantão para comprar analgésicos, e a única aberta ficava justamente do lado Jardins. Estacionou o carro na frente da farmácia, foi comprar as coisas e quando voltou viu duas dondocas com seu carro importado estacionando na vaga da frente e batendo levemente no Zé, causando um amasso. Quando questionadas, as duas dondocas olharam pro carro com cara de desprezo e soltaram um “mas ele já está todo amassado, não faz diferença mesmo” e deram as costas. Mari, uma mina do ABC com sangue nos zóio pisou no acelerador e ameaçou bater no carro das fulanas. Ameaçou, manobrou e fim, voltamos pra casa. O que mais nos deixou indignadas não foi a falta de educação das fulanas, mas o desdém, a indiferença. A conclusão: aquele não era o nosso lugar. A cidade tem territórios muito bem definidos e num lugar que não é o seu você não é nada.
Voltando a matéria da Folha e a polêmica toda, vi que fui convidada pro evento “Churrascão de gente diferenciada”. Achei graça, confirmei minha presença. Nada demais até ficar assustada com a velocidade que o evento ganhou adeptos e comentários bem humorados, virando notícia em sites, blogs, twitter e no SPTV.
Conversando com o marido jornalista-de-meia-tigela, elaborei algumas conclusões baseadas na ciência do “achismo”, (da qual sou ótima praticante): que hoje a gente vive num mundo onde a mobilização não é mais “vamos fazer faixa-manifestação-parar a Paulista-chamar os sindicatos e movimentos sociais”. Hoje as causas e críticas se alastram pela internet e ganham adeptos numa velocidade assustadora e quase perigosa (quem verifica se a informação procede?), e as manifestações se limitam ao mundo virtual, aos eventos do facebook ou aos TT´s no twitter, com contornos engraçados e irônicos, tudo feito no conforto do lar, sem riscos ou custos. Ou seja: a gente vive um tempo de manifestação babaca, engraçadinha e acomodada.
Ok, o evento “fake” se tornou real, a galera foi lá, fez manifestação bem humorada, ganhou ibope, virou noticia, cutucou as pessoas e merece seu mérito. Os moradores de Higienópolis são burgueses babacas e o povo, coitado, precisa de uma estação de metrô pra chegar mais rápido ao seu emprego de zelador, faxineira ou cuidador de cachorro. Desculpa, mas não é só o morador de Higienópolis que olha torto pro povo: e as dondocas dos Jardins, do Morumbi, do Brooklin? O problema é mais amplo que esses clichês, e passa pela distribuição de renda e pelo o modo como os espaços da cidade são ocupados.
Com metrô ou não, a disparidade continua e a cidade permanece dividida entre ricos que mandam e moram bem e pobres que obedecem e permanecem na periferia.
(cresci ouvindo dizer que morar em São Paulo era um luxo não permitido pra gente como eu, pobre, que deveria permanecer na periferia. Eu acho que se as pessoas pudessem morar nos imóveis do centro a briga por metrô seria infinitamente menor, pois os deslocamentos seriam curtos e possíveis de serem feitos, por exemplo, de bicicleta. Mas temos uma prefeitura que nada faz nesse sentido, né? E então a gente tem um centro vazio utilizado por traficantes/drogados/moradores de rua. E e o trabalhador que precisa se locomover muitos quilômetros pra chegar ao trabalho, como fica?
Vota no Kassab, gente!)
a sala que eu queria pra mim...
quinta-feira, 5 de maio de 2011
cansei
Hoje foi o dia do basta, do chega, do saco cheio, da falta de perspectiva geral. E de uma vontade imensa, entalada na garganta, que será explicitada no fim dos longos parênteses, para situar a galére que não me conhece/não faz idéia do que tá rolando[1].
Loooooooooooongo parênteses:
Um dia eu senti uma dor bem forte, disso todo mundo já ta careca de saber. Não sei se as pessoas tem clareza de que fui em pronto-socorros de hospitais públicos CINCO VEZES e não me mandaram fazer nem sequer um exame. Só soube a causa da minha dor depois de pagar médica e exame particulares. Ao saber o diagnóstico, bem assustador, e a solução, mais assustadora ainda (preciso tirar a hérnia de disco e colocar seis pinos que garantam a estabilidade da minha coluna) corri fazer um plano de saúde e retornei ao hospital público, onde NEM SE DERAM AO TRABALHO DE OLHAR, MESMO QUE DE RELANCE, O MEU EXAME.
Saiu o número da carteirinha, corri para um especialista, que deu EXATAMENTE O MESMO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO que a médica anterior, mas ele apresentou uma possível solução: dar entrada no pronto socorro do hospital onde há a cobertura do meu plano de saúde com uma carta em mãos explicando a urgência do caso e solicitando os exames pré-operatórios. Então, ontem dei entrada no hospital de gente fina&rica, toda linda, e estava crente que seria a feliz dona de seis pinos. Exames pré-operatórios realizados, negativa do convênio, retorno pra casa, ódio no coração.
Última tentativa, Hospital das Clínicas. Porque todo mundo tem uma tia velha ou uma vizinha que conhece alguém que veio do interior do Acre, fez tratamento e voltou pra floresta todo serelepe, tudo bem fácil. Achei que como era um caso de urgência (que fique claro que esse foi um termo utilizado por dois médicos especialistas em coluna e donos de currículos lattes in-ve-já-veis) eu ia chegar lá no pronto-socorro com cara de dor e iam resolver meu caso, e assim eu poderia voltar a ser uma professorinha superbacana em breve. Me enganei MUITO: embora tenha perdido a sensibilidade na panturrilha, embora eu esteja com muita dificuldade em caminhar, abaixar, além da dor constante que se irradia para as duas pernas, ainda assim EU TÔ ANDANDO! Ou seja, não é um caso de urgência. PORQUE SÓ É URGENCIA QUANDO EU PARAR DE ANDAR! Me deram uma receita cheia de remédios fortes, me indicaram fazer fisioterapia pra fortalecer a musculatura da coluna e esperar passar a carência do convênio, pois fazer cirurgia pelo SUS pode demorar muito. EU POSSO COM UMA COISA DESSAS? POSSO?
Por isso, por esse absurdo de ir em hospitais públicos SETE VEZES, sendo que dessas idas CINCO foram ao HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL, (sou professora da prefeitura de SP, que fique claro) pelo absurdo do destrato a que fui submetida, absurdo e ônus que a minha ausência ao trabalho causa, absurdo de todo esse texto longo, truncado e cheio de raiva, o meu desejo mais sincero é bater no kassab, xingar, sei lá. Porque não vale a pena ser legal, não vale a pena se dedicar ao serviço público e não serve pra nada o imposto pago por todo mundo.
E acabou por aqui.
Daqui pra frente vou ter uma vida legal apesar da dor, vou esperar pela consulta no HSPM marcada pro fim de maio, vou aproveitar a licença remunerada e o meu tempo livre em casa, vou fazer uns trampos (aceitamos freelas), vou vender o meu artesanato e vou rir muito de tudo isso.
[1] Onde a letra é maiúscula de fato EU ESTOU GRITANDO. Tô nervosa, ignora ae.