
praticante da fina e complexa ciência do achismo+projeto de mulherzinha crafter
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
ensaio

Estamos no segundo turno, né?
Para além das minhas posições políticas, o que mais me assombra é ver o povo todo associando o PT a um comunismo que come criancinha, que se veste de vermelho e vai pra revolução, implanta ditadura e faz reforma agrária com a terra de gente honesta que pagou bem caro por elas, confisca o dinheiro do esforçado para dar para o pobre vagabundo.
Gente, isso tudo é tão démodé!
e então o alan morreu.
só mais um menino negro, pobre, morador da periferia que levou um tiro enquanto roubava, como muitos outros, outros nomes, mesma história. não sei maiores detalhes além do fato de que ele foi meu aluno, e isso me deixou triste por algum tempo.
Ele era mais um dos alunos da 5ª série D, temida e odiada na escola, uma grande incógnita para mim, que tentava compreender como aqueles meninos haviam chegado na 5ª série sem saber ler e escrever sem ninguém ter notado.
(desavisados: eu fui Professora de Sala de Leitura por um ano, numa escola na periferia de SP, e atendia desde os alunos da 3º série até os senhores de cabelinho branco da Educação de Jovens e Adultos)
Recebi os meninos que não sabiam ler na minha Sala de Leitura, e tentando equilibrar essa situação absurda, eu lia para eles. Muito. E eles apreciavam esse momento de atenção e ficção compartilhado por nós. Me tratavam com respeito, diferente do modo como tratavam os outros professores (exceto o professor de língua portuguesa, adorado pela turma) e eu devo isso ao modo como eu encarava aqueles meninos: sim, puxava a orelha quando se atrasavam para a aula com os olhos vermelhos, bem como elogiava no momento propicio.
Depois de conquistá-los, resolvi armá-los para a revolução: achei que eles precisavam conhecer o lugar que ocupavam na cidade, geograficamente e economicamente, queria que eles entendessem a desigualdade da cidade para a partir daí romperem com o ciclo de miséria e tragédia que assola a periferia. Passei a levar, para nossos encontros semanais, mapas, dados, estatísticas, e para começar a nossa conversa perguntei para a 5ª série D:
- então, em qual região da cidade nosso bairro, o Jaraguá, está localizado?
E a resposta foi imediata:
- na Zona Sul!
Quando questionei, os alunos me explicaram sobre o Mano Brown, cantaram uma música e disseram que são como ele. Logo, são da Zona Sul, boba era eu que achava o contrario.
Investi na leitura de mapas, de gráficos, imagens e insisti para que os alunos vissem criticamente a COHAB e o apartamento de luxo da novela. Acabou o ano, mudei de escola, nunca mais tive noticia daqueles meninos, exceto o alan. Não faço idéia se aprenderam a ler, se desistiram da escola, se engravidaram, viraram avião, se tomaram jeito na vida.
O que eu sei é que a revolução não aconteceu.
domingo, 19 de setembro de 2010
pato fu - musica de brinquedo - sesc vila mariana
lindo, lindo e lindo.
e ponto.
ps: mas eu queria um show de verdade, como aquele da Virada, sabe? Pra pular ao som de Capetão 66.6...
sábado, 18 de setembro de 2010
Acho que um sinal da minha velhice foi ver o VMB 2010 e não entender absolutamente nada do que ocorria ali. Rádio? Só escuto a Kiss, e olhe lá. Minha cultura musical vem daquilo que leio e baixo, mas sobretudo das minhas memórias: não sou muito ligada em mudernidades, eu gosto mais ou menos daquilo que eu sempre gostei. Mas daí vem o VMB, meninas enlouquecidas e aquele som desconhecido que se intitula rock. Fiquei atônita.
Procurando explicações para a minha cara de ué, cheguei a essas duas coisas:
“O Restart ganhou tudo no VMB 2010. Parabéns. Explicação: ganhou porque é rock de verdade. Rock é tudo aquilo que um jovem ama e seus pais desprezam. Pode ser um corte de cabelo, um tipo de roupa, um grupo de amigos, até música, e preferencialmente tudo junto.”
“Apedrejar o Restart - ou Elvis, os Beatles, o RPM ou Luan Santana - pela paixão de suas fãs é inútil. O Restart é a rebelião adolescente do momento.”
“Foram precisos três anos, duas bandas de Pernambuco, quatro moleques de Brasília e um bando de maconheiros do Rio de Janeiro para que fosse possível confirmar a viabilidade de uma música pop genuinamente brasileira. O mangue bit, os Raimundos e o Planet Hemp mudaram tudo ao cruzar gêneros, desafiar convenções de mercado e estabelecer um novo padrão de composição, que fugia do rock, se aproximava do rap e tinha como referência as contradições das grandes cidades brasileiras. Suicidal Tendencies e forró, hip-hop e a malandragem da Lapa, skate e maracatu. Ídolos pop de uma linhagem suburbana, a continuação pós- moderna do imigrante que enxerga a metrópole a partir de uma perspectiva muito particular. Cabelo carapinha, pele escura e dreadlocks em choque com o arianismo gélido e encapotado do rock dos anos
Mas a onda que quebraria com toda a força em 1994 recuou e se diluiu, ainda que seus respingos estejam por aí. E o ciclo de destruição pop se repete quando a música jovem feita hoje no Brasil, pelo menos a que se impõe no mainstream, surge da negação da década passada ao abraçar o rock tradicional da mesma maneira que a geração dos anos 80. O som é californiano e o padrão estético a ser perseguido não está na periferia das cidades brasileiras e sim nos subúrbios norte-americanos; sejam eles reais, idealizados ou mesmo replicados de maneira pobre nos condomínios de São Paulo e da Barra da Tijuca.
Hoje tem show do Pato Fu. No ultimo que fui, no primeiro semestre, fiquei besta em ver como as pessoas eram bonitas e bem comportadas. Ninguém se levantou, pulou, vibrou. Na platéia era grande o número de casais com filhos, ou pessoas que aparentavam estar pra lá da casa dos 30. Nenhum louco que fosse pra frente do palco pular ao som de Capetão 66.6.
Teve o Planeta Terra, né? E teve outros shows bem legais, bem dançantes. Mas quem é que escuta essas bandas? E o que está na boca do povo?
Acho que o rock envelheceu e não fala mais aos jovens.
domingo, 12 de setembro de 2010
revelando são paulo 2010
Então eu fui pro Revelando São Paulo, como faço desde 2002, mas dessa vez foi diferente, pois o evento foi transferido do Parque da Água Branca para o Parque do Trote, na Vila Guilherme (oi?). Ok, zona norte não é o fim do mundo, certo?
Com todo o respeito ao povo do lado de lá do rio Tietê, chegar aí é tarefa árdua, né? O metrô passa longe, os ônibus partindo do centro são raros. E o lugar do evento, num claro abandono.
Na verdade fui pra Vila Guilherme com o pé atrás, porque lembro ter escutado boatos de que a administração do Parque da Água Branca desejava tirar o evento dali devido aos danos que o mesmo trazia. E aí, justamente no segundo semestre, o parque entra em reforma, sendo essa a justificativa para a transferência do evento. Mágico, não?
Estou longe dos jogos políticos e não faço idéia do que está em jogo nessa mudança. O que sei é que o Parque da Água Branca tem toda a facilidade de acesso (trem, metro e uma infinidade de linhas de ônibus), o que era garantia de público e de lucro para os expositores. O parque contava com poucos banheiros, o que era solucionado com banheiros químicos, e que o espaço era pequeno para a quantidade de expositores e visitantes. Mas tinha a arena, ponto perfeito para as cavalhadas e outras manifestações culturais que precisam de espaço para serem realizadas. E mais: havia os cortejos, iniciados no Memorial da America Latina ou na Igreja do Rosário, no Largo Paissandu, lugar de encontro das irmandades de homens pretos e pardos, devotos de Nossa Senhora do Rosário, Santa Ifigênia e São Benedito, responsáveis pela congada.
Bem, acho que agora não rola mais nenhum cortejo. Aliás, eu não faço idéia se estava/como fica a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida nessa confusão toda.O que eu sei é que ontem, segundo dia do evento, a coisa estava bem morna. Conversei, como sempre, com o povo do interior, e as opiniões eram divergentes: uns estavam satisfeitos, pelo menos aparentemente, com a mudança, argumentando que o novo espaço, por ser maior, trás a possibilidade de crescimento; outros, tensos pelo público aquém das expectativas, se queixavam da baixa venda de produtos e temiam pela continuidade do evento. E mais: tudo parecia de improviso, do banheiro sem iluminação a falta de decoração (mas gente, espalha os cartazes dos anos anteriores e das edições regionais que já fica bem bom!), da iluminação inadequada no espaço de artesanato, a pouca propaganda, pois não vi nenhum cartaz nos ônibus ou metrô, e sei que passou na TV apenas nesse sábado, no SPTV 1ª edição.
Eu temo pela continuidade do evento, oportunidade rara pra sentir o cheirinho da comida feita no tacho, comprar pinga do povo de Pariquera-açu, comer tainha na barraca de Iguape e trocar uma idéia com as senhoras de Caçapava, as congadas, moçambiques e cavalhadas, coisa que, menina da cidade que sou, só conhecia pelos livros e pela TV.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Assim que chega à escola, Sérgio mostra para a professora e colegas que aprendeu a “fazer os passos do Justin Bieber”. Ok, deve ser febre de adolescente, aparece nos assuntos mais comentados no Twitter e sei lá mais onde. Nada demais, certo?
Errado.
O menino em questão acabou de completar seis anos, é boliviano e meu aluno.
Os tempos são outros e a gente não tem real dimensão disso até que o peculiar pule e rebole na sua frente, e com sotaque espanhol. Melhor que isso só as minhas alunas cantando (enrolando) alguma coisa da Lady Gaga. A mídia, a globalização ou sei lá o quê não poupa ninguém.
Até então eu achava que meus alunos estavam protegidos, ouvindo só Palavra Cantada e histórias do Ziraldo. Mas que nada! O mundo é cruel, devora, sexualiza e emburrece, por mais que a gente caminhe e se esforce na direção contrária. Aquilo que é próprio da infância deixou de ser importante, e ficar mais próximo ao irmão adolescente, seja nos assuntos ou nas roupas é cada vez mais freqüente. Pra mim, é a concretização do que escreveu Neil Postman em O desaparecimento da Infancia, de não haver mais distinção entre o mundo adulto e o infantil, da ausência do “segredo” que seria pouco a pouco desvelado pela criança no seu processo de aquisição da escrita e inserção no mundo dos letrados.
Aos seis anos também ia pra escola e dançava coisas da Xuxa, que hoje sei que não é nada educativo. Mas tinha o Balão Mágico, o Raulzito, o Sítio do Pica Pau Amarelo e todas as músicas do cancioneiro infantil. Em casa, os sucessos da rádio AM, incluindo todo um vasto repertório do clássico brega (“princesaaaaa, a musa da minha poesiaaaa, os meus olhos querem te vê-er!”). E só.
Só soube o que era uma boy band (ou modinha, ou não sei o nome disso) com o New Kids on the Block, no começo da adolescência. E parou ali.
Daí que quando fui dar aulas para adolescentes entendi que, embora efetivamente a minha idade não fosse tãããão distante da deles, meu repertório de vivências era. E de que eu não sei nada sobre o mundinho pop (graças a deus!) e tenho até ojeriza a ele e a gente que tem poster da Britney, Mariah Carey ou da Lady Gaga (que até bem pouco tempo eu acreditava se tratar de uma drag queem). Eu não tenho estomago pra isso, sabe?
Meus alunos sabem quem é Lady Gaga e Justin Bieber. Usam internet e me chamam pra a vizinhança do Fazenda Feliz.
E eu aqui, Dona Aranha...
PS: o mundo está perdido? NÃO! Lembro perfeitamente do sucesso que fazia meus CDs com Jorge Ben e Clube do Balanço.
PS2: eu esperava que meus alunos bolivianos carregassem com orgulho símbolos/objetos/qualquer coisa que os identificasse enquanto grupo étnico. Mas que nada! Tirando as cholitas (as avós de cabelo longuíssimo, saia longa e colorida) todos eles fazem um grande esforço para se “abrasileirar”. Uma pena.
domingo, 15 de agosto de 2010
Bienal do Livro/SP
Memória é uma coisa que engana a gente.
Nas minhas lembranças a Bienal do Livro era um evento muito desejado, momento em que eu ganhava uns trocos do meu pai e me aventurava, de metrô (“mas não é perigoso?” as tias perguntavam) até o local do evento. Há quinze anos (meudeus como sou velha!) a bienal era a minha oportunidade de fazer bons negócios e voltar pra Mauá com novidades.
Mas aí a gente cresce.
Ontem eu estava lá, ansiosa por ser mais uma Bienal e porque a prefeitura “deu” 50 pilas em cheque-livros para seus funcionários (dez mil, que se inscreveram previamente, como eu) e que, somados ao super cartão do educador (20% de desconto) poderia fazer milagres. Mas tudo o que vi foi um bando de adolescentes fãs de Crepúsculo e coisas do gênero, em filas enormes para pegar o autógrafo de sabeládeus quem, e senhoras&jovens “do senhor”, cantando hinos de louvor e causando o caos por uma beirinha do olhar do Padre Marcelo.
E sabe aqueles professores que ganharam os 50 pilas? Se engalfinhavam em estandes como o da Ciranda Cultural, que vendia livros infantis por preços baixíssimos, e qualidade idem. Mas quem se importa com qualidade?
Bienal virou um lugar de espetáculo, que sai no JN e que é bacana de ir. Ninguém está preocupado com a qualidade, ver os lançamentos, entender o jogo do mercado editorial ou levar o filho para comprar o seu primeiro livro. Não. O cara chega lá, compra uma pilha de livros pra colorir de um real e acha que oferece cultura para seu filhoe/ou aluno.
Por isso, embora eu tenha aquele crachá bacana que me permite entrar e sair em qualquer dia e horário, não coloco meu pé no Anhembi. Se é pra comprar, espero a feira do livro da USP, que oferece no mínimo 50% de desconto. Se é pra ver lançamentos, vou ali na Livraria Cultura. E fim.
Nem tudo foi derrota: me dei de presente o Jamie em Casa (ai que ele é tãããããão lindo!) e pra dar de presente o Nova Iorque Delirante e Boris Kossoy Fotógrafo, ambos da Cosac Naif, única editora que valia a pena, com 40 % de desconto para professores.
(quando a gente chega perto dos 30, aglomerações, bagunça e caos não são mais toleráveis)


sábado, 31 de julho de 2010
a sala
o banheiro
O legal de ter a SUA casa é que você pode fazer o que quiser nela. Eu sempre tive uns desejos meio bobos, como ter revistas no banheiro, coisa que NUNCA foi permitido na casa da minha mãe. Quando eu dividia apê com minhas amigas, alguns desejos foram realizados, mas sempre com o consenso das três moradoras da casa. Mas agora, agora...
A CASA É MINHA!
***
Depois de ver esse banheiro fofo e ler sobre a vida pós ajuntamento de trapos da xuxu resolvi mostrar também as soluções que encontrei pra deixar meu banheiro assim, uma coisa menos medonha, sabe? Porque apartamento alugado sempre tem uns remendos, e eu definitivamente não vou gastar pra consertar.
Então, vamos lá:
felicidade é...

Eu queria ser a Fernanda Takai.
“ora, por quê?” pergunta o mais desavisado de todos os desavisados do universo. Porque ser uma pessoa de sobrenome tão estranho?
Pois bem, meus caros, porque ela é linda. E não é só isso: ela mora em BH, cidade onde eu definitivamente seria feliz, pela poesia com pão de queijo e montanhas no horizonte, porque ela tem as roupas mais legais-coloridas-e-fofas, porque ela sabe tocar instrumentos musicais e eu, apesar de ter umas coisinhas de percussão, uma gaita e um violão não sei o que é nota musical, pelo maridão (beeeeeeeem, na verdade o meu é bem legal também), pela voz linda (a minha é um horror), pelo cabelo curtinho e no lugar.
E é por isso que sempre que tem show do Pato Fú ou só dela eu estou lá, cantando e babando.
(tudo isso depois de assistir ao programa Som da Vitrola, no Canal Brasil, e revirar o site do Pato Fu atrás de novidades)
sábado, 17 de julho de 2010
caro leitor (há algum?)
meu tempo de militante ficou pra trás, exatamente em 1976. hoje sou uma feliz dona de casa num universo fofo&colorido, mas a revoltada de antes as vezes vem a tona.
Eu sou uma aluna da UNIVESP.
Não, isso não é motivo de orgulho. Apesar do discurso inflamado do governador no dia da aula inaugural, ressaltando que o futuro do ensino superior no país está no ensino a distancia, que nós, os novos alunos da nova universidade havíamos passado por um processo seletivo rigorosíssimo, quase tão concorrido quanto as carreiras mais disputadas da USP no quesito relação candidato/vaga, o que tem ocorrido, para mim, é um sutil desmantelamento da universidade pública. Eu não bati a cabeça nem voltei pra década de 70, mas passei cinco anos da minha vida na universidade pública, com suas qualidades e muitos defeitos, e acho que tenho repertório para fazer minhas queixas.
Vamos voltar para o começo de tudo: o governo do Estado, sob o argumento de oferecer formação de qualidade aos professores em exercício e ampliar o número de vagas na universidade pública, criou a Universidade Virtual do Estado de São Paulo, que funciona em parceria com as universidades estaduais, fazendo uso de seus espaços físicos e de alguns professores para o oferecimento de cursos semipresenciais. Superbacana, até nos depararmos com a realidade posta: alunos UNIVESP não tem acesso aquilo que os alunos da UNESP tem, coisas básicas como biblioteca, lanchonete, carteirinha de meia entrada e de passe (reza a lenda que ela chegará agora no mês de agosto, e olha que somos alunos desde março!), uma sessão de alunos para obtermos informações ou fazermos queixas. E os professores? Temos tutores, que orientam os estudos (a realização das tarefas indicadas na apostila) que apesar do esforço em realizar um bom trabalho, pouco sabem sobre a dinâmica do curso, e uma professora orientadora, que as vezes aparece e não dá conta de tantas reclamações.
Já estamos em julho e pouco aconteceu. Fico pensando cá com meus botões o tamanho desse absurdo, pois no final de três anos sairemos com um bonito diploma da UNESP, provavelmente com metade do repertorio de um aluno do curso regular. Pra mim, o escancaramento da proposta neoliberal está nesse curso, na proposta de abrir mais vagas na universidade pública sem preocupação com a qualidade. E de certo modo tô aqui, compactuando com tudo isso, já que prestei o vestibular, passei, freqüento as aulas e ainda não desisti, como uma boa cordeira.
Por isso tudo que eu concordo com o povo do DCE da USP. Não sei se eles sabem de tudo, se já se infiltraram num curso da UNIVESP pra saber qualéqueé ou se levantam a bandeira do contra só de ouvir falar. O que muito me assusta é não ver o Diretório Estudantil da UNESP falar nada a respeito, e me assusta mais ainda perceber que já passou um semestre e nós, estudantes&sofredores da UNIVESP não termos feito nada além de cartas ameaçadoras, textos toscos e queixas quase-sindicais e pouco maduras para os professores que somos.
Entonces, tô quase partindo pro radicalismo.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Há algum tempo me encantei pela decotape, pois essa fitinha mágica condensa algumas qualidades primordiais, na minha modesta opinião: é bonitinha, adesiva e plástica, perfeito para a vida muderna. Pois bem, encontrei algumas com estampas bacanas na Liberdade, e elas passaram a ocupar espaço numa gavetinha, junto aos durex coloridos. Sem função nenhuma.
Mas aí que... tchanam!
Encontrei essa estampa aí da foto e, num impulso, de-co-ta-pe-ei minha cozinha!
E que tal?
sábado, 3 de julho de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010
Entro em recesso “devendo” 6 horas para meu empregador, que decretou a dispensa de ponto nos dias de jogo do Brasil na Copa, com reposição de horas posteriormente. Não é absurdo essa coisa de “dever” para alguém que obtém lucro te explorando?
sexta-feira, 11 de junho de 2010
#queixa
E então, a gente emburrece.
Percebi isso depois de um vergonhoso 4,75 numa prova da faculdade. Sim, minha gente, voltei pros bancos escolares e justamente para fazer pedagogia, curso odiado, mas necessário pro meu desejo de um dia ser chefa.
Guardei a tal prova por duas semanas. Tive vergonha de relê-la, juro.
Nunca fui boa aluna, mas sempre me virei muito bem obrigada, o suficiente para entrar num concorrido curso de magistério e na universidade pública duas vezes.
E agora um inédito 4,75, que me faz pensar no que tenho feito da minha vida. Porque os livros não são tão freqüentes, o cinema não é mais semanal e a minha paciência para as questões de política beiram o zero. De fato, meu tempo tem sido mais curto e a mudança, sim, ela de novo, a mudança mudou de verdade meu eixo, que ainda não foi reencontrado.
Três meses depois e eu ainda não coloquei em ordem minhas tralhas de artesanato. Ontem, um botão de uma calça caiu e eu não faço idéia de onde esteja a agulha e a linha, e daí bateu a maior tristeza: como pretendo ser uma pessoa minimamente organizada se o que me é mais caro e pessoal permanece em desordem?
Sim, estou com saudades dos meus feltros.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
E hoje, mais um capítulo da novela
O improviso como missão
Estrelando
Uma pilha de livros sem destino certo
criatividade de sobra+duas cadeiras de madeira, modelo de boteco+duas tábuas de compensado super grossas
=
UMA ESTANTE!

(detalhe: mesa de canto feia&velha, que tinha como destino o lixo, coberta de azulejos e pastilhas que custaram uma pechincha. Uma mesa super pratica para as pequenas refeições na frente da TV, ora pois!)
sábado, 5 de junho de 2010
ou
o dia em que juntamos os trapinhos

nossa primeira noite: sem cama, sem guarda roupas, sem internet, mas com pizza&coca cola, pq a gente mora no bixiga, né?
foi assim: um belo dia a gente percebeu que não fazia mais sentido o revezamento entre as nossas casas, essa coisa de pagar dois aluguéis e dormir sempre juntos. Então, para economizar nas contas e ter todas as nossas tralhas em um só lugar, resolvemos alugar um terceiro apê e nos mudar o mais rápido possível. Isso foi a três meses.
E desde então a minha vida mudou radicalmente.
Porque, por mais que você tenha uma vida super fofa com o seu namorado, é uma outra coisa ir morar junto. Não, colega, brincar de casinha não é tarefa fácil, e na marra estamos virando gente grande.
E conseguimos uma façanha: fazer de um apartamento de dois dormitórios um lugar habitável em menos de três meses e com quase nada de dinheiro e muito de improviso e criatividade, além, é claro, dos ma-ra-vi-lho-sos crediários das casas bahia, marabráz e extra. A vocês, o nosso muito obrigado!
Descobri que freqüentar os grandes supermercados em busca das promoções é uma boa, que a 25 de março é, definitivamente, a minha melhor amiga, que um objeto pode ter muitas outras utilidades para além daquela que está descrita na embalagem.
E aos poucos minha casa tem ficado mais gostosa, a ponto de preferir ficar no sofá jogando Litlle Big Planet a sair para o mundo.
Talvez seja apenas um caso de paixão momentânea, né?
sexta-feira, 4 de junho de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Meu primo morreu.
***
Foi aos 20 anos, por uma coisa bem boba pra gente, mas letal para alguém com paralisia cerebral, de saúde frágil e corpo debilitado. 20 anos de sofrimento de uma família que fez o melhor que pode para cuidar de um filho que esboçou poucas reações durante a vida.
No enterro estava lá, nítida, a dor de um pai que enterrou o filho de mesmo nome, o desespero da mãe que perdeu o foco do seu afeto e a minha covardia de sempre me manter alheia a tudo.
Sim, eu sou covarde.
Porque não me envolvo com as questões familiares, não sou solicita, não acompanho, não sei das mazelas e das alegrias daqueles que me transformaram em gente. Falo deles com distanciamento, como se eles estivessem há quilômetros de distancia. Mas não, eles estão ali em Mauá, terra da minha infância e que eu tanto odeio.
Covarde porque eu não quero passar pela dor daquela mãe. Porque eu não quero correr o risco de fazer algo com defeito de fabricação, porque não suportaria a frustração de algo dar errado, porque não suportaria enterrar um filho, porque eu acho o mundo muito ruim para um filho meu viver. Não que o produto do meu útero seja algo melhor que as outras pessoas, mas é porque eu acho que o mundo não tem jeito.
Meu primo morreu quando eu estava de mudança, rumo a uma casa nova e ao grande amor. Mas não tive coragem de esboçar a minha felicidade frente a enorme dor dos outros, um pouco a minha também.
Enfim, sou covarde pra caralho.
terça-feira, 2 de março de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Por algum tempo eu acreditei nisso. Acreditei que amigo serve para qualquer coisa, que todo mundo tem defeitos mas se a gente gosta de verdade deixa para lá.
Fui deixando, deixando, até que cá estamos.
***
Eu tive um amigo. O melhor. Fazedor de graças, carinhoso, querido, um grande companheiro. Com alguns defeitos, como toda pessoa, mas quando a gente gosta de alguém os defeitos passam a ser charme, detalhes insignificantes diante da grandeza do sentimento, certo?
Errei
Pedi desculpas
Não obtive retorno.
Fui analisar toda a relação.
***
Até que ponto a gente aceita a mentira? Da mentira mínima àquelas que afetam a integridade as pessoas e nos deixam carregados de culpa, é aceitável? Alguém que narra as suas vitórias mas não suporta seu cotidiano, pode? Alguém que inventa assunto para sempre se sobrepor a você, dá?
Não, não dá.
E sendo sincera tudo o que eu precisava era de uma boa desculpa para por um ponto final nessa relação.
***
As cinco horas da manhã, eu e @jojoyeux bêbadas e cansadas de tanta conversa, concluímos: a gente precisa deixar as pessoas irem embora. Sim, as pessoas vão e vem, e a gente não precisa de amigos eternos. Precisamos de amigos sinceros, intensos e verdadeiros, para encontros diários ou anuais, mas eles vão e vem. E a gente precisa deixar que seja assim. Talvez dure décadas, talvez semanas, tudo bem.
Tudo bem
Agradeço todo o carinho, mas cansei, ta?
#oukey, pode fazer o radião.
das invenções III - reformando e inventando vestidos

Ok, eu tinha muitas flores, e?
Na maluquice de tingir todas as minhas peças pretas&desbotadas, resolvi dar um jeito num vestido bem velho, que uma tia fez.
Uma vez tingido, cortei cerca de

Porque uma moçoila feito eu precisa de uma saia preta até o pé? Pois bem, da minha saia velha de malha resolvi que quero fazer um vestidinho. Esse é ainda um projeto, que está devidamente alfinetado no manequim, mas acho que o resultado será bem bacana...

das invenções II - reformando blusinhas
Sabe AQUELE DIA de calor infernal que emburrece as pessoas? Então, mudanças bruscas de temperatura em SP, entre uma escola e outra eu PRECISAVA trocar de roupa antes que eu derretesse. Comprei uma blusinha baratíssima no metrô Barra Funda, vesti e fui. Só que ela tinha uma abertura ENORME atrás, deixando as costas a mostra, coisa que eu odeio. Um ano depois, fui iluminada, e acabei de fazer isso aqui, ó:

um belo dia comprei um saco de botões coloridos. não um saquinho, mas um senhor saco, que foi suficiente para a reforma do banheiro, para as artes com as crianças e para as flores de feltro.
Pausa
Eu tinha uma blusa de malha ótima preta, velha e desbotada. Na panela que cabe um short, cabe uma blusinha, certo? Tingi de preto e usei os botões. Ficou um charme:

invenções
A minha meta para inicio de ano era reutilizar o maior numero de peças encalhadas no meu guarda roupa, dar cara nova a elas e colocar em prática todas as idéias vistas por aí e acumuladas devido a minha falta de tempo habitual. O resultado foi muito positivo, resultando em convites de reformas de roupas das amigas e tias.
Vamos às invenções e créditos
Todo mundo tem uma calça jeans perfeita mas tão velha que dá vergonha de usar, ok? Eu tenho várias assim. Vi um link postado no twitter pelas meninas do superziper e tentei fazer algo parecido com o material que tinha em casa.
Da calça fiz um short, que tingi de preto, costurei "rendinha" (não sei o nome desse coiso) e bordei uma flor de feltro. Foi assim mesmo, fácil fácil, e deu um resultado ótimo:

S o b r e p e s o
Eu sempre fui assim.
Está lá, nas fotos de família: bochechuda, calça colada, moletom apertado, sorriso aberto. É bonitinho uma criança gorda. Como nunca houve nenhuma orientação médica no sentido contrário, a mãe sempre achou que eu era a filha mais linda do mundo. As dobrinhas a mais não era resultado de má alimentação, muito pelo contrário: sempre fui fã dos vegetais.
Daí eu cresci.
Precisei comprar roupa sozinha. E entendi que o mundo foi feito para o manequim 38.
Auto estima lá no pé, demorei pra beijar, pra namorar. Aos 19 usava apenas roupas larguíssimas, vestidos ripongas, sabe? Entrei na faculdade, saí de casa, arrumei um namorado. Num ambiente novo e hostil precisamos ser fortes&seguras, ou o mundo nos devora. Fiz a primeira opção. E tudo pareceu bem, até o namorado passar a mão no teu quadril, na tua barriga e dizer: “se você perdesse um pouquinho disso aqui você ficaria uma delicia”.
Acabou. Bem, não foi por isso que acabou, mas foi isso que ficou na memória: ser recusada, do modo como era, pela pessoa que mais amava.
Mas, mesmo gorda&feia, por algum motivo misterioso, os homens se aproximavam de mim. Entendi, a duras penas, que aparência é uma coisa do jogo de encantar os homens, mas não é toda a coisa, entende? Inacreditavelmente eu nunca fiquei sozinha: sempre tive a sorte de ter um cara bacana me segurando a mão
Mulher é um bicho estranho e, mesmo muito segura do que era e do que poderia fazer, um outro moço, a quem dediquei meu amor, me chamou de ‘gordita”(si, hablava espanhol). Morri. Pirei. E acho que essa foi a coisa mais pesada que fiz na minha vida: parei de comer. Sério: passava um dia inteiro com apenas UMA refeição, algo do tipo um potinho de tabule, e nada mais. Entre uma fome e outra, café com adoçante. Caminhadas l o n g a s do trabalho até em casa. Cerveja nos finais de semana com os amigos, e só cerveja, sem nenhum petisco. E dedo na garganta, pra completar o panorama de maluca. O tal moço? Sumiu. Eu fiquei com a dor.
Mas aí apareceu um outro que acha graça naquilo que sobra, que gosta da imagem e tem o habito de recortá-la pra si, sem pudores, que não se importa nenhum pouco com as meninas de manequim 38. Só aos 28 anos tive coragem de usar shortinho jeans, usar biquini e ousar no decote. Incrível, não?
Tirando as crises decorrentes da TPM, a vida vai bem: sem maiores transtornos, com chocolate compartilhado no meio da noite e jantares gostosos a dois.
(em tempo: pra quem nunca me viu na vida, não, eu não sou REALMENTE gorda, mas não entro num manequim 40 e tenho dificuldades de comprar biquínis)